Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP desenvolveram um dormente ferroviário polimérico em colmeia, apresentando uma alternativa inovadora e sustentável aos modelos tradicionais. Dormentes são componentes cruciais na infraestrutura ferroviária, servindo como base para os trilhos, mantendo o espaçamento correto e distribuindo a carga para a base de pedras.

Atualmente, existem três tipos principais de dormentes: madeira, que exige desmatamento e tratamento químico; concreto, conhecido por sua alta propensão a rachaduras e peso elevado; e aço, que possui alto custo e gera poluição sonora.

O projeto, iniciado há cerca de 20 anos por demanda de uma empresa interessada em alternativas aos materiais existentes, utiliza plástico reciclado como principal matéria-prima. A escolha visa mitigar os problemas associados à produção excessiva, descarte inadequado e longo tempo de decomposição do plástico.

Um dos aspectos inovadores é a estrutura interna em formato de colmeia, que proporciona maior resistência e durabilidade, além de evitar o fenômeno conhecido como rechupe, que são vazios internos que comprometem a integridade da peça. Inspirada nas construções das abelhas, a estrutura de colmeia oferece alta resistência com baixo peso. As dimensões externas seguem as normas da ABNT, enquanto o interior é preenchido com formas hexagonais.

O novo dormente é mais leve que os convencionais. Para atingir o peso mínimo necessário e garantir resistência e absorção de vibrações, dois terços de cada extremidade são preenchidos com granito sintético.

A estrutura interna vazada facilita a refrigeração durante a produção, permitindo o uso de equipamentos menores. Além disso, é menos suscetível a rachaduras e aos efeitos do clima.

A utilização de plástico reciclado oferece uma solução para o problema do descarte desse material. O dormente pode incorporar um certo nível de impurezas, como pedaços de cascalho ou arame. O projeto demonstra potencial para reinserir resíduos plásticos no ciclo de produção, transformando-os em dormentes ferroviários.

Empresas com leitos ferroviários podem se interessar pela tecnologia, especialmente com o Plano Nacional de Ferrovias, que propõe concessões para a iniciativa privada. Cooperativas de reciclagem também são um setor de interesse, pois seriam fornecedoras da matéria-prima.

A patente do dormente está na fase 5 de maturidade tecnológica, com protótipos em testes. A próxima etapa é alcançar a escala real de mercado, o que exige investimento em maquinário de grande porte.

Fonte: www.agenciasp.sp.gov.br

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