Uma equipe internacional de astrônomos, sob a liderança de cientistas brasileiros, anunciou a descoberta de anéis em torno de Quíron, um corpo menor localizado entre as órbitas de Saturno e Urano. Esta é a quarta vez que anéis são detectados ao redor de um objeto que não é um planeta, sugerindo que tais formações podem ser mais comuns do que se imaginava.
Até 2014, a crença era de que uma força gravitacional intensa seria necessária para manter essas estruturas coesas. Essa premissa foi desafiada pela identificação de anéis ao redor do centauro Chariklo, também orbitando entre Saturno e Urano, por um grupo liderado pelo brasileiro Felipe Braga-Ribas.
A nova descoberta, resultado de observações realizadas em 2023 utilizando a técnica de ocultação estelar, revelou a existência de três anéis em torno de Quíron. A técnica consiste em observar o fenômeno em que um objeto do Sistema Solar passa em frente a uma estrela, bloqueando temporariamente sua luz e projetando uma sombra sobre a Terra. As observações foram realizadas em 31 locais diferentes na América do Sul, com dados importantes obtidos no Observatório do Pico dos Dias, em Minas Gerais.
Uma análise comparativa com observações anteriores, datadas de 2011, revelou que os anéis não existiam há 12 anos, indicando que sua formação ocorreu na última década. Este é um evento raro em astronomia, onde os fenômenos geralmente ocorrem em escalas de tempo muito maiores.
Os resultados indicam raios de 273 km, 325 km e 438 km a partir do centro de Quíron. Além dos anéis, foi identificado um disco de material difuso, sem coesão suficiente para ser classificado como um anel, mas que se estende por centenas de quilômetros.
A causa da formação dos anéis permanece um mistério. As hipóteses incluem colisões, impactos catastróficos ou processos de ejeção associados a um ambiente gravitacional favorável. A equipe de pesquisa agora se concentra em determinar se as estruturas são estáveis ou temporárias. O monitoramento contínuo de Quíron e de outros objetos semelhantes será crucial para entender a dinâmica desses sistemas anelares.
Fonte: www.agenciasp.sp.gov.br