O governo dos Estados Unidos divulgou a Estratégia Nacional de Segurança Nacional, reafirmando a Doutrina Monroe e a “proeminência” de Washington em todo o Hemisfério Ocidental, que engloba as Américas do Sul, Central e do Norte. O documento, divulgado nesta sexta-feira (5), sinaliza uma nova diretriz para a política externa americana.

“Após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no Hemisfério Ocidental e proteger nossa pátria e nosso acesso a regiões-chave em toda a região”, consta no documento oficial.

A Doutrina Monroe, criada em 1823, estabelece que “a América é para os americanos” e visava desafiar a influência de potências europeias na América Latina, tanto no aspecto econômico quanto militar e cultural. O governo americano pretende aplicar um “Corolário” à Doutrina Monroe, expandindo a influência dos EUA no continente. Objetivos incluem estabelecer ou expandir o acesso a locais estratégicos e buscar a remoção de empresas estrangeiras envolvidas na construção de infraestrutura na região.

Especialistas apontam que essa nova política representa um recado direto à China, em resposta à sua crescente influência econômica na América Latina. O governo americano pretende negar a seus concorrentes a capacidade de posicionar forças ou possuir ativos estratégicos no Hemisfério.

O documento da Casa Branca indica uma estratégia de aliança e expansão na região. Será dada prioridade a governos, partidos políticos e movimentos alinhados aos princípios e estratégias dos EUA. No entanto, o governo ressalta que não ignorará governos com perspectivas diferentes, mas que compartilham interesses e desejam cooperar.

A Casa Branca argumenta que “concorrentes” externos têm realizado “incursões” no continente, prejudicando a economia dos EUA. As alianças com países da região estarão condicionadas à redução gradual da influência externa considerada adversária.

A política externa também enfatiza a necessidade de o governo americano trabalhar em prol das empresas dos EUA, incentivando a colaboração entre o setor público e o privado. Acordos com países da região, em especial com aqueles mais dependentes dos EUA, deverão priorizar contratos de fornecimento exclusivo para empresas americanas. Os Estados Unidos planejam priorizar a diplomacia comercial, utilizando tarifas e acordos comerciais recíprocos. Paralelamente, fortalecerão parcerias de segurança, incluindo a venda de armas, o compartilhamento de informações e a realização de exercícios conjuntos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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